O artigo analisa as relações entre condições de vida, cuidado em saúde e gestão territorial em comunidades ribeirinhas amazônicas situadas em unidade de conservação de uso sustentável. O estudo toma como referência empírica a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas. O objetivo geral é compreender como processos de reprodução social condicionam vulnerabilidades sanitárias, barreiras de acesso e formas de cuidado em áreas protegidas. Trata-se de artigo de revisão teórico-documental, de abordagem qualitativa, baseado em análise secundária de tese de doutorado, legislação sanitária e ambiental brasileira e literatura da saúde coletiva sobre determinação social, território, atenção primária e populações tradicionais. Os resultados apontam que o modo de vida ribeirinho é atravessado por baixa escolaridade, renda restrita, saneamento insuficiente, dependência do transporte fluvial, exposição ocupacional, doenças relacionadas à água e dificuldades de acesso regular aos serviços. A discussão demonstra que a conservação ambiental, quando desvinculada de políticas sociais territorializadas, pode coexistir com desigualdades sanitárias persistentes. Conclui-se que o cuidado em saúde em unidades de conservação amazônicas requer governança intersetorial, atenção primária fluvial, saneamento adaptado à várzea, valorização dos saberes comunitários e responsabilidade pública contínua.