A expansão das plataformas digitais tem promovido profundas transformações nas relações de trabalho, especialmente no setor de entregas por aplicativo. Embora classificados como trabalhadores autônomos, muitos entregadores exercem suas atividades sob mecanismos de controle e gestão algorítmica, sem acesso às garantias trabalhistas e previdenciárias asseguradas aos empregados formais. Esse fenômeno, conhecido como “uberização”, tem contribuído para a intensificação da precarização do trabalho, caracterizada por jornadas extensas, remuneração variável e insegurança social. Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo analisar as condições de empregabilidade no Brasil, com foco nas relações de trabalho consideradas precárias entre entregadores e empresas de aplicativo. Para tanto, adotou-se uma abordagem qualitativa, por meio de pesquisa bibliográfica e documental, fundamentada na análise da legislação, da doutrina e da produção científica acerca da temática. Os resultados evidenciaram que os entregadores por aplicativo, embora formalmente enquadrados como autônomos, apresentam elementos de subordinação tecnológica e dependência econômica, além de estarem submetidos a longas jornadas de trabalho e à instabilidade de renda. Verificou-se, ainda, a ausência de direitos trabalhistas fundamentais, como FGTS, férias remuneradas, décimo terceiro salário e cobertura previdenciária, configurando um cenário de vulnerabilidade social. Conclui-se que o modelo de uberização intensifica a precarização das relações laborais e impõe a necessidade de revisão dos critérios jurídicos tradicionais, a fim de assegurar a efetividade dos direitos fundamentais do trabalho diante das novas formas de organização produtiva.